Mulheres do Terceiro Milênio

As técnicas de reprodução assistida são cada vez mais procuradas por mulheres que tem o sonho de ser mãe, mas também almejam conquistar sucesso pessoal e profissional

O mundo mudou e, consequentemente, as pessoas estão mudando junto com ele. Atualmente, as prioridades da maior parte das mulheres são focadas na vida profissional e na independência, por isso, o sonho de ter um filho acaba sendo adiado e algumas trocam os métodos tradicionais para engravidar pelos métodos clínicos de reprodução assistida.
A questão da idade vem se tornando o principal motivo pelo qual as mulheres buscam esses métodos. A vida atarefada do mercado de trabalho com a constante busca pelo sucesso juntamente com a vontade de viver intensamente suas experiências faz com que a maior parte delas deixe a maternidade em último plano, ainda que ter um filho seja um grande sonho.

Para a psicóloga da Pro Matre Paulista, Flávia Carnielli, o importante é estar preparada para as mudanças que uma decisão desse tipo traz para a vida. “Essa é uma questão bastante particular e individual. Atualmente algumas mulheres optam por adiar a maternidade buscando independência, um plano de vida definido ou um parceiro com quem compartilhar seus objetivos. Além disso, a gestação tardia já se tornou algo aceito socialmente”, explica a psicóloga.

Ainda de acordo com a especialista, não há uma idade certa para tentar a maternidade, mas é importante que a mulher esteja segura em sua decisão e tenha um bom planejamento de vida, afinal, quanto maior sua estabilidade emocional, financeira e familiar, mas tranquila será a adaptação às novas responsabilidades.

Entre as técnicas mais utilizadas pelos casais que anseiam pela chegada de um novo membro na família está a fertilização in vitro (FIV) ou bebê de proveta, um tratamento feito em etapas que por meio de uma base de medicamentos para a estimulação ovariana tem o objetivo de obter um maior número de óvulos para aumentar as chances de fertilização e gravidez, como explica o obstetra Vamberto Maia Filho, do Hospital e Maternidade Santa Joana. “É utilizado o hormônio para desencadear a maturação dos óvulos, que são aspirados dos ovários via vaginal e, então, selecionados para se unirem aos espermatozoides. Depois de formados, os embriões são colocados em uma estufa cujas condições ambientais são similares às da tuba uterina. Neste momento, aqueles que apresentarem melhores índices de qualidade serão transferidos para o útero materno, já preparado para recebê-los”.

Outro procedimento bastante usado, e responsável por cerca de 30% de toda gravidez clínica, é o congelamento de óvulos, que consiste em aspirar alguns óvulos e congelá-los em nitrogênio líquido até o momento ideal para a fertilização. Segundo Dr. Vamberto, os métodos mais procurados são aqueles que apresentam menos complexidade, mas a escolha depende de cada caso. “A indicação do tratamento se baseia na causa de cada um, pois há muitos casos de infertilidade. Assim sendo, uma boa história clínica e exames complementares bem realizados são o alicerce para esta decisão”.

O congelamento de óvulos traz muitos benefícios para a prática médica na área de Medicina Reprodutiva e é uma alternativa muito útil, pois os óvulos congelados podem ser utilizados com vários propósitos: aumentar a eficácia da fertilização in vitro; como alternativa ao congelamento de embriões, principalmente para casais com restrições éticas ou religiosas a esse método; programa de doação com banco de óvulos e, principalmente, para preservação da fertilidade em mulheres com necessidade de cirurgia para retirada do ovário, radioterapia ou quimioterapia para tratamento de câncer que pode causar uma menopausa precoce ou naquelas que desejam postergar a maternidade. ‘’Esta última situação tem se tornado cada vez mais frequente nos dias de hoje em que as mulheres têm grande participação no mercado de trabalho e, muitas vezes, planejam engravidar após os 35 anos’’, completa Dr. Vamberto.

A melhor técnica de congelamento de óvulos é a vitrificação, com taxas de sobrevivência dos óvulos ao descongelamento de 95%. No entanto, Dr. Vamberto ressalta que o fato de congelar óvulos não garante uma futura gestação. ‘’Assim como todo tratamento na área de reprodução humana, o sucesso não é garantido. As chances de gravidez são em torno de 45% por tentativa e o ideal é que o congelamento seja feito até os 38 anos, quando as taxas de gravidez são melhores’’, explica.

Para quem está em busca de reprodução assistida é preciso tomar alguns cuidados com o corpo, como evitar o consumo de bebidas alcoólicas, cigarros, drogas, estresse excessivo e obesidade, para aumentar a chances de sucesso da técnica escolhida. “Depende de muitos motivos para não conseguir a gestação e as chances de um casal engravidar na primeira tentativa são bastante variáveis, pois muito depende dos motivos para não se conseguir a gestação. O que, de fato, acontece é que há um aprendizado nas futuras tentativas de gestação e isso dá informação ao médico para melhorar as chances de uma gestação”, finaliza o obstetra.

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